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    Radiações e Saúde

    O forno de microondas é prejudicial?

    Os fornos de microondas têm como princípio de funcionamento a emissão de radiação eletromagnética.  Mas esta radiação eletromagnética fica maioritariamente contida no interior do forno devido à blindagem do equipamento, pelo que não há problemas de exposição à radiação eletromagnética associados à utilização do forno de microondas.

    É prejudicial ter uma antena instalada no topo do meu prédio?

    As antenas não emitem radiação eletromagnética de igual forma em todas as direções do espaço, o que significa que o nível de radiação eletromagnética não é o mesmo em toda a área circundante à antena.  Regra geral, as antenas utilizadas nos sistemas de comunicações móveis emitem pouca radiação eletromagnética na vertical, pelo que os níveis de exposição à radiação eletromagnética no edifício de instalação são reduzidos.

    É prejudicial ter uma antena instalada em frente da minha casa?

    A intensidade do campo eletromagnético radiado por uma antena diminui fortemente quando a distância à antena aumenta.  Regra geral, não existindo a possibilidade de contacto físico com uma antena de estação base, os níveis de exposição à radiação eletromagnética estão abaixo dos limites.

    É mesmo necessário colocar as antenas de estações base próximo das pessoas?

    Em geral, sim.  Existem dois fatores fundamentais que tornam necessário distribuir as estações base de uma forma mais ou menos densa: primeiro, devido à capacidade limitada de alcance do telemóvel, e  segundo, devido ao número limitado de telemóveis com que uma estação base é capaz de estabelecer ligação.  Dependendo do número de potenciais utilizadores num dado local, assim haverá mais ou menos estações base nesse local.

    As antenas instaladas em depósitos de água contaminam a água?

    Não existe qualquer perigo de contaminação.  A radiação eletromagnética proveniente das antenas dos sistemas de comunicações móveis é do tipo não-ionizante.  Isto significa que não tem energia suficiente para quebrar ligações químicas e, por conseguinte, para alterar as propriedades da água.

    Corro algum risco em ter uma antena parabólica no telhado da minha casa?

    As antenas parabólicas usadas para a receção do sinal de televisão não emitem radiação eletromagnética, mas apenas a recebem dos satélites de difusão.  Assim, não provocam qualquer acréscimo nos níveis de exposição à radiação eletromagnética.

    O que é o Principio da Precaução?

    O Princípio da Precaução é a atuação contra os riscos potenciais que, de acordo com o estado atual do conhecimento, não podem ser ainda identificados.  Este Princípio afirma que a ausência da certeza científica formal sobre a existência de um risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prever este dano.  A aplicação do Principio da Precaução numa dada situação deve ser proporcional ao nível de risco e incerteza que daí advir, bem como ao benefício que a sociedade pode daí tirar.

    Quais são as potências emitidas pelos vários dispositivos que nos rodeiam?

    Alguns valores típicos, a título de exemplo, são:
    Estação difusora de televisão: 400 000 W.
    Microondas doméstico (dentro do forno): 1 000 W.
    Estação base de comunicações móveis: 600 W.
    Telemóvel (máximo): 1 W (3ª geração) / 2 W (2ª geração).

    Quais os efeitos das radiações na saúde?

    Os efeitos dependem do tipo de radiação: ionizante ou não-ionizante.  No caso da radiação ionizante, se forem muito elevadas, podem produzir alterações moleculares, que por sua vez podem causar danos no tecido biológico, incluindo efeitos a nível genético.  No caso da radiação não-ionizante, se forem muito elevadas, traduzem-se essencialmente no aquecimento do tecido biológico, que são por isso designados como “efeitos térmicos” (ver aqui).

    Existem grupos populacionais mais sensíveis, como crianças ou idosos? Deve-se limitar a utilização dos telemóveis por estes grupos?

    Até ao momento, não são cientificamente reconhecidos possíveis efeitos dos campos eletromagnéticos ligados ao uso do telemóvel dependentes da idade.  Contudo, as crianças poderão ser mais vulneráveis à exposição a estes campos, uma vez que o seu sistema nervoso se encontra em desenvolvimento.  A posição da Organização Mundial de Saúde vai no sentido de cada pessoa decidir se deve ou não limitar a sua exposição ou a dos seus filhos, limitando a duração das chamadas ou utilizando dispositivos de alta voz, ou auriculares, para manter o telemóvel afastado do corpo ou da cabeça.

    O que se entende por SAR?

    A SAR (do Inglês, Specific Absorption Rate) ou Taxa de Absorção Específica, é a grandeza a partir da qual se estabelecem os limites de exposição à radiação eletromagnética na gama das radiofrequências.  A SAR Representa a taxa a que a potência da onda eletromagnética é absorvida por quilograma de massa corporal.  A energia absorvida pelos tecidos biológicos resulta numa elevação da temperatura desses tecidos; a potência a partir da qual é ultrapassada a capacidade termo-reguladora do corpo define o valor limite de SAR.

    Onde posso consultar o valor do SAR do meu aparelho?

    A maioria dos fabricantes de telefones móveis disponibiliza os valores máximos ou típicos de SAR resultantes da sua utilização no manual do equipamento, sendo muitas vezes possível consultar também esta informação nos portais da Internet dos diversos fabricantes.

    Porque varia o valor de SAR entre aparelhos? Não trabalham todos da mesma forma?

    Os telemóveis têm de respeitar as normas do sistema quando estão a comunicar.  No entanto, as características físicas do aparelho, como tamanho, materiais ou disposição dos seus componentes são completamente livres.  Estas diferenças fazem variar o valor de SAR do aparelho.

    O que são bolsas/capas anti-radiações? São eficazes?

    Qualquer material que se coloque à volta do telemóvel acaba por atenuar o sinal que este emite.  Mas como os telemóveis apenas emitem o mínimo essencial para estabelecer a ligação com qualidade, a utilização da bolsa/capa no telemóvel faz com que este aumente a sua potência de emissão para compensar a atenuação extra provocada pela bolsa/capa, e estabelecer a ligação nas condições definidas.  Assim, as bolsas/capas apenas servem para diminuir a autonomia da bateria do telemóvel, tornando necessário que este seja carregado com mais frequência.

    É prejudicial andar com o telemóvel perto do coração?

    Quando o telemóvel está ligado mas sem efetuar comunicação (chamadas de voz, SMS/MMS, Internet, etc.), não está a emitir radiação eletromagnética.  A exceção ocorre por breves instantes, algumas vezes por dia, para efeitos de sinalização com a rede.  Assim, no caso de andar com o telemóvel perto do coração, só são necessárias precauções adicionais no caso das pessoas que têm estimuladores cardíacos, devendo-se neste caso assegurar uma distância de pelo menos 20 cm entre o telemóvel e o estimulador.

    É possível fazer pipocas com as radiações eletromagnéticas dos telemóveis? E cozer um ovo?

    Vários telemóveis a transmitir ao mesmo tempo nunca conseguirão gerar energia suficiente que seja capaz de fazer estalar o milho, ou cozer um ovo.  Um telemóvel atual consegue emitir, no máximo, 1 Watt.  Com vários telemóveis, mesmo que o milho absorva toda a energia emitida, a subida da temperatura nunca atingiria os 190 °C que são necessários para conseguir fazer pipocas.  Além disso, para fazer pipocas num microondas, com uma potência de cerca de 1 000 Watt, é necessário cerca de 1 minuto.  Sendo assim, não é possível que, com uma potência quase 1 000 vezes inferior, se consigam fazer pipocas em apenas alguns segundos.

    O que é a eletrosensibilidade?

    A eletrosensibilidade é o estado ou condição no qual algumas pessoas manifestam efeitos na sua saúde que acreditam ser devidos à exposição a campos eletromagnéticos.  Apesar de existirem efeitos bem estabelecidos na saúde devido à exposição a campos eletromagnéticos, estes efeitos de eletrosensibilidade referem-se a níveis de exposição bastante inferiores aos valores limite definidos.  Apesar de já terem sido realizados inúmeros ensaios clínicos e testes, em nenhuma situação foi possível encontrar um caso de alguém capaz de distinguir (sentindo os efeitos) entre situações de exposição real a campos eletromagnéticos e situações de teste sem qualquer exposição.

    Qual a diferença entre a radiação eletromagnética num solário e a de um telemóvel?

    A radiação emitida num solário encontra-se na gama dos ultravioletas, ao contrário da radiação do telemóvel, que está na gama de radiofrequências, ou seja, é não-ionizante (ver aqui).

    As antenas instaladas perto das escolas podem prejudicar a saúde das crianças?

    As antenas de estações base instaladas perto das escolas, tal como todas as outras antenas, estão sujeitas a valores limite de exposição que não podem ser ultrapassados.  Normalmente, a distância a que estes valores são atingidos é relativamente baixa (ver aqui), pelo que em condições normais não haverá problema.  De qualquer forma, os níveis de referência internacionais não distinguem a idade, pelo que não existem níveis de referência específicos para as crianças (ver aqui).

    As radiações eletromagnéticas dos telemóveis provocam cancro? E outras doenças?

    As radiações eletromagnéticas dos telemóveis são não-ionizantes (ver aqui), pelo que os seus efeitos se traduzem no aquecimento do tecido biológico, sendo por isso designados como “efeitos térmicos”.  Para além dos efeitos térmicos resultantes da exposição à radiação eletromagnética de radiofrequência, há ainda a possibilidade de ocorrência de efeitos biológicos não-térmicos, mas o conhecimento científico sobre este tipo de efeitos é ainda reduzido.  Em 31 de Maio de 2011, a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC) classificou os campos eletromagnéticos de radiofrequência associado à utilização de telemóveis como possivelmente carcinogénicos para humanos (Grupo 2B), com base num aumento do risco de glioma, que é um tipo de cancro no cérebro.  Este grupo atribui uma classificação usada para identificar um agente para o qual a evidência de carcinogeneidade em humanos é limitada e a evidência de carcinogeneidade em experiências com animais é insuficiente. 

    O uso de auricular pode diminuir o nível de exposição à radiação eletromagnética? E se for sem fios? Os auriculares com Bluetooth diminuem o nível de exposição à radiação eletromagnética? Radiam?

    Sim.  A intensidade dos campos eletromagnéticos diminui bastante com o aumento da distância à antena do telemóvel, logo, a exposição de uma pessoa que afasta o telemóvel da cabeça usando o auricular é menor do que quando usa o telemóvel encostado ao ouvido.  No caso dos auriculares sem fios, estes também emitem radiações eletromagnéticas para conseguirem comunicar; no entanto, como o seu alcance é menor (ligação auricular/telemóvel) relativamente à do telemóvel (ligação telemóvel/estação base), também as suas emissões o são.

    Quando fico com a orelha e a cabeça quente na zona onde encosto o telemóvel devido a fazer muitas chamadas, é devido à emissão de radiações electromagnéticas?

    A bateria do telemóvel aquece por estar a fornecer a energia necessária ao funcionamento do telemóvel, à semelhança de outros equipamentos eletrónicos, como por exemplo, computadores, máquinas de lavar, e televisões.  É por este motivo que se sente este aquecimento, não sendo portanto devido às radiações eletromagnéticas emitidas pelo telemóvel.

    As radiações eletromagnéticas afetam os animais?

    Os mecanismos de interação entre as radiações eletromagnéticas e os tecidos biológicos são os mesmos para pessoas ou animais, pelo que não existem níveis de referência específicos para os animais.

    Quanto mais tempo falar ao telemóvel mais prejudicial este é?

    Os níveis de referência que não devem ser ultrapassados já consideram o facto de ser uma exposição prolongada no tempo.  No caso de exposições pontuais, os valores limite são mais elevados.

    Porque são necessários mais estudos? Porque há ainda incerteza?

    Em qualquer situação da vida, é impossível obter incerteza zero.  Assim, apesar de já existirem inúmeros estudos e ainda não terem sido comprovados outros efeitos das radiações eletromagnéticas além dos efeitos térmicos, a investigação continua.

    Há quanto tempo são estudados os efeitos da radiação na saúde?

    As fontes de radiação eletromagnética artificiais não são recentes, ou não surgiram só com os telemóveis.  Já existem emissores de rádio, televisão ou radares, entre outros, há várias décadas, pelo que os efeitos da radiação eletromagnética são amplamente estudados há bastante tempo.

    O que é o estudo "Interphone"?

    O estudo “Interphone” é o nome dado a uma série de estudos desenvolvidos de forma coordenada em vários países (ver aqui), que analisam se a exposição à radiação eletromagnética emitida pelos telemóveis está associada a um aumento do risco de cancro.  A Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC) é a entidade responsável pela coordenação global do estudo, em que os países participantes são a Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Israel, Itália, Japão, Nova Zelândia, Noruega, Suécia e o Reino Unido.

    Como é que a radiação eletromagnética interage com o corpo humano?

    Os efeitos da interação dos campos eletromagnéticos com o corpo humano dependem não só da sua intensidade, mas também da sua frequência e energia.  Os efeitos biológicos mais conhecidos da radiação eletromagnética de radiofrequência traduzem-se essencialmente no aquecimento do tecido biológico (devido ao aumento da agitação molecular), e são por isso designados por “efeitos térmicos”.

    As radiações eletromagnéticas fazem mal?

    A questão não é saber se a exposição à radiação eletromagnética é prejudicial ou não, mas sim saber a partir de que níveis de exposição surgem efeitos adversos para a saúde.  É precisamente a esta questão que os limites de exposição procuram responder, estabelecendo valores máximos permissíveis para os níveis de radiação, com base em efeitos conhecidos.  Assim, a resposta correta à pergunta é: abaixo dos níveis recomendados pelos limites de exposição, a exposição à radiação eletromagnética não é prejudicial.

    Tendo lido uma notícia sobre um estudo onde se dizia que os telemóveis provocam malefícios, é melhor deixar de utilizar o telemóvel?

    Existem vários estudos contraditórios sobre os possíveis efeitos dos telemóveis.  No entanto a Organização Mundial de Saúde procede à análise dos resultados de toda a investigação na área, continuando a afirmar que, segundo o conhecimento atual, a exposição a níveis de radiação eletromagnética abaixo dos níveis de referências não produz efeitos maléficos na saúde.

    As dores de cabeça que sinto quando uso o telemóvel são provocadas pelas radiações eletromagnéticas?

    Os estudos efetuados até ao momento não demonstraram haver qualquer relação entre a utilização do telemóvel e a existência de dores de cabeça (ver aqui).

    Quando uso o telemóvel durmo mal. Será devido às radiações eletromagnéticas?

    Os estudos efetuados até ao momento não demonstraram haver qualquer relação entre a utilização do telemóvel e a existência de perturbações do sono (ver aqui).

    Sendo portador de um pacemaker, posso usar o telemóvel junto ao coração?

    Apenas por uma questão de possível interferência eletromagnética com o pacemaker, não é recomendado o uso do telemóvel junto ao coração.  A Direção Geral da Saúde recomenda que transporte o telemóvel se faça a uma distância de pelo menos 20 cm do coração, e durante a realização de uma chamada deve colocá-lo sobre a orelha oposta ao lado do pacemaker.  Quanto às radiações eletromagnéticas provenientes de uma antena de estação base, não existe perigo de interferência eletromagnética com o normal funcionamento de um pacemaker.

    É prejudicial dormir perto do telemóvel?

    Quando o telemóvel está ligado mas sem efetuar comunicação (chamadas de voz, SMS/MMS, Internet, etc.), não está a emitir radiação eletromagnética.  A exceção ocorre por breves instantes, algumas vezes por dia, para efeitos de sinalização com a rede.  Assim, dormir perto do telemóvel, ou mesmo utilizá-lo como despertador, não é prejudicial pois o telemóvel não está a emitir radiação eletromagnética.

    Que agentes ou substâncias já foram classificados pela IARC?

    Desde 1971, a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC) avaliou mais de 900 agentes.  Alguns exemplos são: bebidas alcoólicas, amianto, benzeno, formaldeído, café, produtos de coloração capilares, paracetamol, e campos eletromagnéticos, entre outros.

    O que é a epidemiologia?

    A epidemiologia é o estudo da distribuição de doenças em populações ou em fatores que podem afetar esta distribuição.  Por outras palavras, a epidemiologia estuda a frequência com que as doenças ocorrem em diferentes grupos de pessoas e a sua razão.

    O que nos dizem os estudos epidemiológicos?

    Através da epidemiologia podemos aprender acerca da incidência de doenças e das suas causas.  Estes estudos são importantes para avaliação dos riscos para a saúde, pois estudam diretamente as pessoas, mas devem, no entanto, ser interpretados com cuidado.

    Como são conduzidos os estudos epidemiológicos?

    Os estudos começam com a questão ou hipótese que deve ser respondida.  Por exemplo, “As pessoas que bebem bebidas alcoólicas correm um risco maior de doença cardíaca?”.  As populações mais apropriadas para o estudo são selecionadas, e é avaliada a exposição aos alegados fatores de risco da doença.  Existe um grande número de tipos de estudo epidemiológicos, cada um com diferentes pontos fortes e fracos.

    Qual a diferença entre efeito biológico e efeito adverso para a saúde?

    Um efeito biológico ocorre quando se deteta uma alteração no funcionamento do corpo humano em resposta a um dado estímulo.  Esta alteração pode ser, ou não, maléfica para a saúde, sendo classificada de adversa quando de facto é maléfica.  No caso das radiações eletromagnéticas, estas interagem com o corpo (e.g., provocam aumento de temperatura) pelo que provocam efeitos biológicos.  Estes efeitos biológicos apenas seriam adversos se estivessem fora da gama de compensação do próprio corpo.  A existência de limites de exposição serve para garantir que tal não acontece.

    A exposição à radiação do telemóvel foi classificada como possivelmente cancerígena. O que significa isto?

    Em 31 de Maio de 2011, a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC) classificou os campos eletromagnéticos de radiofrequência associado à utilização de telemóveis como possivelmente carcinogénicos para humanos (Grupo 2B), com base num aumento do risco de glioma, que é um tipo de cancro no cérebro.  A IARC refere que “a evidência foi criticamente revista, e avaliada globalmente como limitada para utilizadores de telemóveis para glioma e neuroma acústico, e inadequada para outros tipos de cancro. A evidência para exposição ocupacional e ambiental foi considerada igualmente considerada inadequada.”.

    Para além dos telemóveis, que outros agentes existem classificados como “possivelmente cancerígenos”?

    Para além das radiações eletromagnéticas emitidas pelos telemóveis, outros exemplos de agentes incluídos nesta categoria são o clorofórmio, café, vegetais em pickles (tradicionais da Ásia), exaustão de motores a gasolina, campos magnéticos de frequência extremamente baixa, ou exposição ocupacional de bombeiros.

    Que outras categorias são utilizadas pelo IARC para classificar o potencial de um determinado agente provocar cancro?

    A Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC) identifica fatores ambientais que podem aumentar o risco de cancro em humanos.  Estes incluem químicos, misturas complexas, exposições ocupacionais, agentes físicos e biológicos, e fatores do estilo de vida.  A classificação dos agentes é dividida em 5 grupos distintos, de acordo com o seu potencial cancerígeno: Grupo 1, Grupo 2A, Grupo 2B, Grupo 3 e Grupo 4.  O Grupo 1 classifica os agentes como carcinogénicos para humanos, inclui 107 agentes e é usado quando existe evidência suficiente de carcinogeneidade para humanos.  No Grupo 2A, os agentes são classificados como provavelmente carcinogénicos para humanos, estando incluídos 59 agentes nesta categoria; a classificação neste grupo é usada quando existe evidência limitada de carcinogeneidade para humanos. e evidência suficiente de carcinogeneidade em estudos animais.  No Grupo 2B, os agentes são classificados como possivelmente carcinogénicos para humanos, estando incluídos 266 agentes; este grupo é usado quando existe evidência limitada de carcinogeneidade para humanos, e evidência insuficiente de carcinogeneidade em estudos animais, e também pode ser usado quando existe evidência inadequada em humanos, mas existe evidência suficiente em estudos animais.  No Grupo 3, os agentes não são classificáveis como carcinogénicos para humanos, incluindo 508 agentes; este grupo é usado quando a evidência de carcinogeneidade para humanos é inadequada, e quando é inadequada ou limitada em estudos animais.  No Grupo 4, os agentes são classificados como provavelmente não carcinogénicos para humanos, estando incluído 1 agente nesta categoria; este grupo é usado quando a evidência sugere falta de carcinogeneidade para humanos e em estudos animais (ver aqui).

    As radiações eletromagnéticas emitidas pelos telemóveis podem ser absorvidas pelo nosso organismo?

    As radiações eletromagnéticas de diferentes frequências interagem com os sistemas biológicos de diferentes formas.  A maneira como afetam os sistemas biológicos depende em parte da sua intensidade e, por outro lado, da sua frequência.  As radiações emitidas pelos telemóveis podem penetrar superficialmente nos tecidos expostos, e provocar um aquecimento devido à absorção de energia nestes tecidos.  A profundidade de penetração no tecido depende da sua frequência, e é maior para frequências mais baixas.

    As radiações eletromagnéticas emitidas pelos telemóveis podem provocar zumbidos ou náuseas?

    Os estudos efetuados até ao momento não demonstraram haver qualquer relação entre a utilização do telemóvel e a existência destes sintomas (ver aqui).

    As radiações eletromagnéticas emitidas pelos telemóveis podem provocar perdas de memória ou dificuldades de aprendizagem ou de visão?

    Os estudos efetuados até ao momento não demonstraram haver qualquer relação entre a utilização do telemóvel e a existência destes sintomas (ver aqui).

    As radiações eletromagnéticas emitidas pelos telemóveis podem provocar alergias ou sensações de queimadura?

    Os estudos efetuados até ao momento não demonstraram haver qualquer relação entre a utilização do telemóvel e a existência destes sintomas (ver aqui).

    As radiações eletromagnéticas emitidas pelos telemóveis podem provocar lesões genéticas nos glóbulos do sangue (quebra do DNA)?

    Não, as radiações eletromagnéticas emitidas pelos telemóveis são radiações não-ionizantes, que não têm energia suficiente para provocar ionização, ou seja, quebra de ligações de átomos ou moléculas (quebra do DNA).  Apenas as radiações ionizantes, como os raios-X ou radiações nucleares, têm energia suficiente para provocar diretamente estes efeitos.

    O que são os limites de exposição à radiação eletromagnética?

    Os limites de exposição à radiação eletromagnética estabelecem os valores máximos permissíveis para os níveis de radiação eletromagnética absorvidos pelo corpo humano.  Acompanhando o conhecimento científico atual, o estabelecimento dos limites de exposição baseia-se na procura dos valores mínimos a partir dos quais podem começar a surgir efeitos biológicos adversos à saúde, independentemente do mecanismo que os gera.

    Existem normas em Portugal que regulem os níveis de radiação eletromagnética?

    Sim.  Em Portugal adotou-se a Recomendação N.º 1999/519/CE, de 12 de Julho do Conselho de Ministros da União Europeia (ver Portaria N.º 1421/2004, de 23 de Novembro, Decreto Lei N.º 11/2003, de 18 de Janeiro, e Deliberação ANACOM de 6 de Abril de 2001).  Os operadores portugueses são obrigados a regular a potência das suas antenas, para que sejam cumpridas as restrições básicas e os níveis de referência relativos à exposição da população aos campos eletromagnéticos.

    Existem normas de exposição específicas para os trabalhadores?

    Sim.  No caso dos trabalhadores cujo desempenho das suas funções envolva exposição a fontes de campos eletromagnéticos, os níveis de referência considerados são mais elevados (ver aqui), pois é considerado que os trabalhadores podem tomar medidas extra de proteção.

    Porque razão existem países/regiões com diferentes limites/níveis de referência?

    Existem países/regiões com limites diferentes devido a duas questões distintas.  A primeira prende-se com os países que basearam os seus limites em recomendações diferentes; por exemplo, as recomendações nos Estados Unidos da América são diferentes das existentes na União Europeia.  Neste caso, existem algumas diferenças entre os limites devido a interpretações distintas dos dados experimentais ou da metodologia dos estudos.  No entanto, os valores limite são bastante semelhantes entre si, pois os efeitos considerados são os mesmos.  Em Portugal, segue-se a Recomendação do Conselho da União Europeia.  A segunda questão está relacionada com o facto de alguns países decidirem baixar os limites em relação às recomendações científicas, com o objetivo de tentar aumentar a sensação de segurança da população, apesar de esta alteração não ter qualquer fundamento científico.  No entanto, o resultado foi exatamente o oposto, pois estes valores limite mais baixos são sistematicamente postos em causa, por não terem fundamento científico.

    Não seria mais seguro se os limites/níveis de referência fossem mais baixos?

    Os níveis de referência atuais têm em consideração os efeitos provocados pela radiação eletromagnética no corpo humano, acrescentando ainda um fator de segurança de 50 vezes.  A diminuição dos limites não iria portanto aumentar o nível de segurança, por não ter base científica.

    O que significa se os limites de exposição forem ultrapassados?

    Os níveis de referência têm um fator de segurança, pelo que o facto de serem ultrapassados não significa automaticamente que surgirão problemas de saúde (ver mais informações aqui).

    Existem locais onde os limites de exposição são ultrapassados?

    Normalmente, os limites apenas são ultrapassados em zonas muito próximas das antenas, sendo que esta distância, no caso das antenas de estação base dos telemóveis, é relativamente baixa (ver mais informações aqui).

    Os limites de exposição que estão em vigor têm em consideração a exposição a longo prazo?

    Sim, os limites de exposição abrangem os possíveis efeitos a longo prazo em toda a gama de frequências.

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destaques

12.09.2017

Nova Edição do Prémio FAQtos: "A Sociedade e as RF 2018"!!!

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12.09.2017

Prémio FAQtos 2018: Começa já o teu Projeto!!

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26.07.2017

Prémio FAQtos 2018!!!

Fiquem atentos pois, em breve, teremos novidades.... (…)

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