FAQTOS
 
 

Esta página pretende apresentar conceitos básicos sobre ondas electromagnéticas usando uma linguagem intencionalmente simplificada, para a tornar acessível ao público em geral.

 

faqtos básicos

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    Efeitos Biológicos da Radiação

    Radiação Eletromagnética: Onda ou Partícula?

    A Ciência encontra a explicação para muitos dos fenómenos eletromagnéticos considerando a radiação como um conjunto de ondas que viajam no espaço. Porém, existem outros fenómenos que são mais facilmente compreendidos considerando a radiação como um fluxo de partículas ou fotões. Chama-se a esta propriedade da radiação eletromagnética dualidade "onda-partícula".

    A energia de um fotão - unidade elementar de uma onda eletromagnética - depende da sua frequência. Quanto maior a frequência de uma onda eletromagnética, maior a energia do fotão a ela associado, e consequentemente maior a sua capacidade de interação com o material biológico.

    Radiações Ionizantes ou Não-Ionizantes?

    A matéria é formada por átomos, e por combinações de átomos chamadas moléculas. O processo pelo qual um átomo ou uma molécula perde um eletrão designa-se por ionização. A ionização não ocorre de uma forma espontânea, isto é, para que ela ocorra é necessária a interação da molécula ou do átomo com radiação caracterizada por fotões com níveis de energia altos. Os raios X e os raios gama são exemplos de radiação ionizante (capaz de causar ionização). Este tipo de radiação pode produzir alterações moleculares, que por sua vez podem causar danos no tecido biológico, incluindo efeitos a nível genético.

    Os fotões associados à radiação de radiofrequência não têm energia suficiente para causar a ionização de átomos ou moléculas, pelo que a radiação de radiofrequência se diz não-ionizante, tal como acontece com a luz visível, infravermelhos e outras formas de radiação eletromagnética com frequência relativamente baixa.

    É muito importante não confundir os termos ionizante e não-ionizante, uma vez que os mecanismos de interação com o corpo humano são bastante diferentes.

    Efeitos Biológicos da Exposição à Radiação de Radiofrequência

    Chama-se efeito biológico à resposta mensurável do organismo a um estímulo ou a uma alteração no meio envolvente. Os efeitos biológicos ocorrem nas mais variadas situações, desencadeando diversos mecanismos de compensação do corpo humano, mas não sendo necessariamente prejudiciais para a saúde. Um efeito biológico é prejudicial à saúde quando causa alguma alteração detetável no bem-estar ou integridade dos indivíduos expostos.

    Para um tipo de radiação não-ionizante, como é a radiação eletromagnética de radiofrequência, os efeitos biológicos conhecidos estão razoavelmente bem quantificados: traduzem-se essencialmente no aquecimento do tecido biológico e são por isso designados como “efeitos térmicos”. Quando o nível de aquecimento dos tecidos biológicos excede a capacidade natural de termo-regulação do organismo humano, podem ocorrer danos nesses mesmos tecidos. No entanto, como é conhecida de forma objetiva a relação entre a quantidade de energia de radiofrequência que é absorvida pelos diversos órgãos do corpo humano e a correspondente elevação de temperatura, foi possível estabelecer por organizações internacionais de saúde os valores limite para exposição segura à radiofrequência.

    Para além dos efeitos térmicos resultantes da exposição à radiação eletromagnética de radiofrequência, há ainda a possibilidade de ocorrência de efeitos biológicos não-térmicos. O conhecimento científico sobre este tipo de efeitos é ainda muito pouco, não existindo sequer uma definição clara sobre o termo “efeito não-térmico” ou estudos em condições de serem replicados. Algumas das dificuldades residem na quantificação de efeitos que são de avaliação subjetiva, e também no facto do intervalo de tempo de observação ser insuficiente para estabelecer relações de causalidade. Existe neste momento um grande esforço da comunidade científica, no sentido de tentar clarificar esta questão. Refira-se ainda que a ocorrência de efeitos biológicos a longo prazo é outra questão em aberto, a que se tenta rapidamente dar resposta.

    Além dos efeitos biológicos, existem também os efeitos psicossomáticos, que são efeitos associados ao medo existente relativo à exposição a campos eletromagnéticos (por exemplo, devido à preocupação com uma determinada questão, a pessoa induz em si própria efeitos que perceciona como estando associados à mesma).

    Radiações e Saúde (pela Direcção Geral da Saúde)

    Em resultado das reconhecidas vantagens associadas ao uso do telemóvel e face à crescente adesão da população a este equipamento, assistiu-se à profusão das antenas de estações base, indispensáveis a uma boa cobertura da área de serviço e à sua adequada utilização. Em paralelo, tem-se verificado preocupação e receio por parte da população no que respeita às possíveis influências das radiações eletromagnéticas, particularmente de pessoas que residem perto dos locais onde estão instaladas estações base.

    No entanto, os maiores problemas associados ao funcionamento dos sistemas de comunicações móveis dizem essencialmente respeito à “perceção do risco” pela população (isto é, ao modo como a população interpreta o risco) e não tanto ao “risco” em si mesmo.

    De um modo geral, os níveis de exposição do público às radiações provenientes de estações base são muito inferiores aos níveis de referência constantes da Recomendação do Conselho nº 1999/519/CE, de 12 de Julho, adotados em Portugal através da Portaria nº 1421/2004, de 23 de Novembro, sendo considerados insignificantes quando comparados com a exposição aos próprios telemóveis. Esses níveis são inferiores aos que estão associados ao funcionamento das estações de radiodifusão sonora e auditiva. Não são conhecidos efeitos prejudiciais à saúde para valores abaixo dos níveis de referência estabelecidos e legalmente definidos.

    Face aos conhecimentos científicos atuais e de acordo com os resultados de numerosos estudos epidemiológicos desenvolvidos até ao momento, não foi identificado qualquer risco para a saúde das populações (mesmo em idosos, grávidas e crianças) que habitam nas proximidades de estações base, onde os níveis de exposição atingem somente uma pequena fração dos valores recomendados.
    Têm ocorrido manifestações individuais de sintomas (ex. dores de cabeça, cansaço, tonturas), para os quais até ao momento não se estabeleceu qualquer relação com a exposição aos campos eletromagnéticos.

    Não existe perigo de interferência eletromagnética das radiações provenientes de estações base com o normal funcionamento de dispositivos médicos tais como pacemakers ou próteses metálicas.

    O principal risco associado ao uso do telemóvel é o de acidente pela sua utilização durante a condução, que pode aumentar em cerca de 4 vezes. Com efeito, os estudos epidemiológicos já realizados demonstraram uma forte associação causal entre a utilização de um telemóvel durante a condução automóvel e o aumento do número de acidentes de viação, embora tal efeito não esteja relacionado com os campos eletromagnéticos gerados, mas sim com a dispersão da atenção.

    Quanto aos riscos para a saúde associados à exposição decorrente da utilização do telemóvel, muitos estudos têm sido realizados; no entanto, até à data nenhum estudo permitiu concluir sem qualquer dúvida a associação entre a utilização do telemóvel e efeitos prejudiciais na saúde. Para reduzir a exposição aconselha-se a utilização de um sistema kit mãos livres ou a redução da duração das chamadas. A utilização de um auricular ou de um dispositivo Bluetooth, pelo facto de afastar o telemóvel da cabeça durante a conversação, é um acessório útil e apresenta características preventivas. Nesta situação, a zona mais exposta do organismo humano será aquela que se encontra mais próxima do telemóvel.

    Relativamente às crianças, a exposição ao telemóvel tem início mais precocemente em comparação com um adulto de hoje e tem vindo a aumentar. Por este motivo, devem os pais ponderar entre os benefícios e as desvantagens associados a essa utilização.
    Recomenda-se ainda que as pessoas portadoras de diferentes implantes eletrónicos (ex. pacemakers) transportem o telemóvel afastado cerca de 15 cm do seu implante e o utilizem no lado oposto quando efetuam uma chamada.

    Não se aconselha também a utilização de telemóveis nas unidades de saúde, em áreas onde existem equipamentos médicos suscetíveis de sofrer interferências eletromagnéticas, uma vez que o desempenho destes equipamentos poderá ser afetado pela existência de campos eletromagnéticos de fontes de radiações não ionizantes.

    (Texto “Radiações e Saúde” produzido pela Direção-Geral da Saúde, em 20 de Dezembro de 2004.)

    Folhas Informativas da OMS

    A Organização Mundial de Saúde produz folhas informativas sobre exposição a radiação eletromagnética com o objetivo de informar a população. A equipa do Projecto monIT traduziu estes documentos, podendo os mesmos serem consultados na página de faqtos técnicos do portal.

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